quarta-feira, 18 de outubro de 2023

 

                Do seu nome, um verbo

                   Márcio Barker

            imagem: internet

Outro dia, caminhando por aí, me perguntarm

E daí, como vai você?”

Respondi:

Tudo bem, Camillando”

Aliás, nas últimas semana, de verdade, tenho Camillado, até que razoavelmente.

Mas, que pena! Camillo a distância, ao menos por enquanto.

Sinceramente, eu gostaria de Camillar mais próximo. Ah! Se eu Camillasse mais, de bem perto, sem dúvida de que Camillaria, mais feliz. Espero que, quando eu Camillar, pertinho, seguramente, será um Camillar fascinante.

Sim, porque ultimamente, me faz falta um, quê, um tantão, de satisfazer o meu desejo, de Camillar. Porque, eu bem sei que, ao Camillar, sentindo o sabor, o perfume, Camillarei para outros horizontes de sessações, de cores, que preencherão um pobre coração descamilizado.

Portanto, há que se usar o imperativo: Camille!!! para quando eu Camillar, que eu Camille com o coração em brasa, bem melhor se eu Camillasse de longe.

Tenho gostado desse verbo, acho que vou conjugá-lo, sériamente. Mas só, seja no tempo presente, ou futuro. Sabem? Sinceramente, gostaria de não conjugá-lo, no passado.

Um grande brinde. Camillemos, pois, sei lá até quando....não é, Camilla?


quarta-feira, 16 de agosto de 2023


A Gika

Márcio Barker

Não era uma deusa da beleza, mas muito menos feia.

Mas para mim era a Gika, o que importava.

Pequena, baixinha mesmo, nossos abraços eram trabalhosos.

Tinha que me curvar. Que importa? Pois eram aqueles abraços!!!

Abraços da Gika

Irriquieta, ágil, alegre, sempre cheia de ideias.

Boas ideias a Gika tinha.

Gika” era o apelido que dei a ela.

Nossa!!! Mas como vivia longe!!!

Horas e horas de ônibus, pela estrada a fora. Tudo só pra ver a Gika.

Mas valiam a pena, aquelas horas de estrada. Eu sabia quem me esperava.

Era ela, a Gika, Quanto mais os kilômertros passavam, mais o coração acelerava.

Se nossas separações eram tristes, os reencontros compensavam.

Na casa da Gika, eu era o rei.

Tinha até cafezinho com biscoitos na cama, de manhã

Nossas viagens e nossos passeios eram coloridos. Pois colorida era a companhia da Gika.

A vida com a Gika era mergulhada no bom humor, na piada, no carinho, na graça. Sim, porque eu estava em companhia da Gika.

Na cama, fosse a que horas fosse, não da pra esquecer.

Rejuvenecíamos, na luz do abajur, e de corpo e alma.

Os beijos, abraços, orgasmos que o tempo guarda. Era a Gika!

Um dia a Gika foi embora!!!

Não acreditei...não acredito até agora...

Culpa minha?

Pensou que eu tivesse outra.

Não tinha....

Argumentei, falei, jurei, mas a Gika não acreditou...

Punido por um crime que não cometi.

Mas admito que em seu  lugar , também seria difícil acreditar em mim, apesar de inocente!!!

Então, culpa minha

Gika se foi, e eu fiquei a ver navios.

Fazê o quê, não é?

Ficaram as imagens da estrada, dos beijos, do amor, das piadas, que lembro com um sorriso triste.

Foi muito bom, viu Gika?

terça-feira, 7 de março de 2023

 

O Safado

Márcio Barker



                                                                                                                       internet

Eu era pequeno. Três ou quatro anos, talvez cinco.

Minha mãe metia em mim uma fantasia de cowboy, ou de pirata, que, aliás eu gostava bem mais. Além disso, ela me dava um lança-perfume, lindo, numa embalagem de alumínio, dourada. E lá íamos nos dois, à matinê carnavalesca.

No salão, colorido, agitado, alegre, muita gente. Lembro bem que tinha mais adultos, do que crianças, e pareciam se divertir mais.

No palco, uma baita orquestra, completa. Naipes de metais, madeiras, percussão, piano. No repertório, só as eternas marchinhas.


Minha fantasia é de diabo/É de diabo,

mas falta o rabo, mas falta o rabo.

Eu vou botar um anuncio no jornal:

Precisa-se de um rabo pra brincar no carnaval”.


Era uma delícia, fosse o rabo, ou o carnaval

E eu largava da mão de minha mãe, e me espalhava pelo salão, (com quatro ou cinco anos!!!)

E, ao som da orquestra fantástica, eu corria pelo salão, de lança-perfume em riste. Objetivo: os magníficos seios, e as maravilhosas coxas das ''folionas''. Confesso: jamais esqueci.

Lembro bem das reações. Elas olhavam pra mim, entre assustadas e surpresas. Não esqueço dos sorrisos. E diziam:

''Que garotinho precoce!!!''

Olhavam sorrindo para minha mãe e diziam:

''Seu filhinho? Mas que safadinho, não?''


Minha mãe sorria. Naquele tempo ela não ficava brava...

E o garoto ''levada da breca'', como se dizia antigamente, continuava pelo salão a fora, com seu lança-perfume, entre seios e coxas (deslumbrantes), enquanto isso, a orquestra tocava:


Brasil já lamçou fogueteeeeeeeeee,

agora Cuba também vai lançar.

Quero ver Cuba lançar, Cuba lançar, Cuba lançar''


Aqueles carnavais passaram, o lança-perfume, a banda, as marchinhas, aqueles seios, e aquelas coxas, e o o garoto safadinho, também

E hoje:

corrida atrás só ônibus perdido.

Perdido na fila interminável do banco.

Um mágico que estica o salário que terminou bem antes do fim do mês.

Próstata.

Filho que vai mal no colégio.

Mulher que reclama e cobra...

a ereção duvidosa, insegura.

Insônia, pesadelos.

O carro que não pega de manhã (já atrasado).

O velho amigo que morreu de repente.

A insatisfação indefinida, que se esconde atrás de uma máscara.

O vazamento na parede.

A inflação.

A boçalidade vencendo a eleição.

O funk alto no vizinho.

O sertanejo universitário no outro vizinho.

A encheção de ter de ir ao médico.

Pressão dando de subir.

O distinto relutante...descendo.

O chato inesperado na rua, e não teve tempo de mudar de calçada.

Etc e tal

E o que me faz sobreviver e não perder o bom humor???

Simples:

É aquele safadinho que ainda sobrevive lá no fundo, entre as lembranças das marchinhas, do lança-perfume, dos seios e das coxas, num eterno carnaval

Que bom!!!

(P.S.: um comentário é  legal, seja para um elogio, seja para uma crítica.  Sempre importante.

Por favor, comente. Grato

O Autor)