quarta-feira, 28 de agosto de 2024

 

Não sei se...

Márcio Barker

                                                                   ulisses

Não sei se saio,

ou se fico em casa.

Se saio,

encontro amizades

Bato papo

Como alguma coisa.

Se fico em casa,

leio, vejo TV

Mas não encontro ninguém

E agora?

Não sei telefono.

Se escrevo.

Se chamo.

Ou se fico quieto,

calado.

Observando.

E agora?

Eu não sei se canto.

Ou se escuto.

Daí vem um detalhe:

Não sei cantar,

Essa foi fácil escolher.

Eu não sei se namoro.

Ou fico sozinho.

Gosto muito mesmo de namorar

Mas também, de ficar só, gosto muito.

Não sei se digo que gosto dela.

Não sei se não digo nada.

Se não digo nada, será que ela fica?.

E, como será se ela ficar?

Vou gostar?

Se digo que gosto dela,

Sei que certamente ela ficará.

E será que ela vai querer ficar?

E se ela ficar, será que vai gostar?

E, como será cuidar da moça?

Não sei se saberei cuidar!

Não sei se vejo TV, ou leio.

Será que leio, ou será que durmo?

E se dormir...

...será que acordarei?

terça-feira, 6 de agosto de 2024

 

Bem que poderia...

Márcio Barker


Bem que alguém, poderia bater em minha porta...

Bem que meu celular poderia tocar agora...

Bem que sem querer, distraído, eu poderia encontrar aquele alguém, na mesma calçada.

Bem que gostaria de ouvir uma voz, dizendo meu nome, no meio da rua.

Bem que, parado no semáforo, vermelho.

Do carro ao lado, alguém gritaria: “meu Deus, é você?”

Bem que poderia encontrar um cartão, na caixa de correio.

Simples cartão, como uma paisagem qualquer.

E, do outro lado, um escrito simples: “Lembrei de você”

Abrindo a porta, lá estava alguém distante, mas que não esqueci.

Do outro lado do meu celular, uma voz doce dizendo: “Como vai?”

No sentido contrario, na mesma calçada, o vulto de braços abertos.

E, sorrindo, diria: “Que saudades!”

Antes que o semáforo ficasse verde, no carro ao lado,

o sorriso, e o beijo com a mão.

No cartão, que achei na caixa de correio,

uma escrita simples:

Lembrei de você. Saudades.

Se for recíproco, esse é o meu telefone. Me ligue.”

Bem que poderia ser assim...

Mas não tem sido...


domingo, 28 de julho de 2024

 

E se de repente eu trombasse com você?


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Como seria?

Distraído, cabeça vazia e...

...sem mais, trombamos.

Assim, de repente, do nada.

Olhos assustados pelo encontrão.

Mais ainda, depois de ver com quem.

Certamente, eu sorriria.

E, sem pedir licença, daria um abraço.

Bem, creio que você também me abraçaria.

Um longo e silencioso olhar.

E o inevitável “como vai?”

De tanto do que eu teria a dizer,

que me deixaria mudo.

Uma dúvida:

Abraçaria mais ainda você?

Me conformaria só com um abraço?

Nesses momentos, quem fala são os olhos.

Claro, logico que viria o inevitável convite:

Vamos tomar um café?”

Sei que você aceitaria.

Claro, por que não?

As histórias.

As lembranças.

As loucuras foram muitas.

Assim, ao menos um café.

Ao lado do cafézinho, algumas perguntas de praxe.

Perguntas de quem conhecia bem cada detalhe, um do outro.

Mas quem sabe por isso mesmo,

eram apenas perguntas burocráticas...evitando maiores detalhes.

O café poderia ter durado uma eternidade.

Mas não durou.

Levantamos cerimoniosamente.

Com os olhos brilhantes, e um sorriso.

Nos abraçamos, nos despedimos, nos afastamos...

Você pra lá...eu pra cá.

Sei que depois de uns passos.

Eu olharia pra trás...

E iria doer.